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Poemas de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa ficou conhecido como Fernando Pessoas devido a grande variedade de heterónimos que criou para si nas mais diversas facetas de sua vida.

Fernando Pessoa

Como poeta Fernando se desdobrou em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos.

Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa no dia 13 de junho de 1888, durante toda a sua vida ele trabalhou escrevendo poemas e devido a isso se tornou conhecido como um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal. Sua educação aconteceu na África do Sul e devido a isso ele pode aprender o inglês perfeitamente a ponto de escrever poesias e prosas durante a adolescência.

Competências de Fernando Pessoa

Ao longo de sua vida ele trabalhou em diversas firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa, foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, enquanto isso ainda teve tempo para produzir sua obra literária em versos e em prosa.

Fernando Pessoa e seus Heterônimos

Como poeta Fernando se desdobrou em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos, esse foi o objetivo da maior parte de seus estudo sobre a vida. Entre seus principais heterônimos podemos destacar: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Bernardo Soares. O primeiro deles se deu quando Fernando ainda era bem jovem o mesmo denominava-se Chevalier de Pas.

Biografia própria de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa em seus heterónimos

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimento nenhum.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

Desde então seus poemas e prosas não pararam mais de se desenvolverem, ao longo de sua vida ele compôs inúmeros deles, por ser fanático pelos seus heterónimos ele considera os poemas fingidores de seu próprio eu interior. Como relatado na poesia abaixo.

AutopsicografiaPessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Principais poesias de Fernando pessoa em seus heterônimos

Álvaro de campos: Este viveu tudo na vida intensamente, e acredita que não é nada e não quer nada. Expressava tédio, era solitário e depressivo, ele não contava com ninguém a não ser consigo mesmo.

LISBON REVISITED (1923)
( Álvaro de Campos) – Fernando Pessoa

Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo…
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Heterónimos

Ricardo Reis: Este heterónimo de Fernando Pessoa possui um estilo inverso ao citado acima, ele apresenta um estilo refinado vê a forma poética mediado pela frieza e pelo controle emocional, ‘vamos morrer’, tudo para ele no final é pura ilusão, e se tudo passa, aproveitemos a vida!

Ao Longe (Ricardo Reis) – Fernando Pessoa

Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.
Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada E ternos frio ao sol.
Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.

Ricardo Reis

Alberto Caeiro: Este pensava de forma simples e sem muitos questionamentos, seu marco era ‘viva sem pensar na morte’, para ele não existem ministérios nas coisas, o que vejo, vejo e pronto.

NEM SEMPRE SOU IGUAL (Alberto Caeiro) – Fernando Pessoa

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma …

Poesias do próprio Fernando Pessoa

Fernando Pessoa em suas diversas fases

Sinta quem lê

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda
É como um terraço
Sobre outra coisa linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio
Sério do que não é
Sentir? Sinta quem lê!

Sonho

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme inconsciente de alheios corações,
Coração de ninguém.

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Mar português

Ó mar salgado, quanto do te sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mãos choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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